Maiakóvski
A Mãe e o Crepúsculo Morto pelos Alemães
Mães brancas nos caminhos negros
estendem-se – brocados convulsos sobres féretros.
O inimigo derrotado, e elas lançam seus ais:
“Fechem, fechem os olhos dos jornais!”
Uma carta.
Seja forte, mãe!
Fumaça.
Fumaça.
Mais
fumaça!
Tua voz que lamenta
distante?
Veja – o ar se pavimenta
de balas como pedras ribombantes!
Ma-m-mãe!
Arrastam agora o crepúsculo ferido.
Resistiu quanto pôde,
duro,
troncudo,
mas de súbito, –
abalando as espáduas sólidas,
o pobre
caiu chorando no colo de Varsóvia.
Estrelas estridulam
em lenços de chita azul:
“Morreu,
morreu
o meu amado!”
E o olho turvo do novilúnio
fita de soslaio
o padioleiro soturno, de inertes punhos.
As aldeias lituanas acodem numa chusma:
embutida na sombra, firme sobre os cotos,
marejando de lágrimas igrejas de olhos de ouro,
Kovno decepa os dedos de suas ruas.
O crepúsculo urra
– sem pernas, sem braços: –
“Não é verdade!
Ainda sou capaz
de
retinindo as espora numa doida mazurca
torcer as minhas felpas ruivas!”
Tilinta.
Mãe,
quem chama?
Branca, branca, brocado em funeral.
“É ele – ânimo! –
o morto do telegrama.
Ah fechem, fechem os olhos do jornal!”
1914
Escrito por Daniel Sampaio de Azevedo às 17h12
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Um Haikai de Bernardo Souto
Caros amigos turistas, passeando pelo mundinho dos blogs, descobri um haikaísta de grafia cheia. É o pernambucano Bernardo Souto, que escreveu esta pérola:
gotas d'água
na lâmina do lago:
flores de cristal
Escrito por Daniel Sampaio de Azevedo às 09h44
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