Sonetando
a Francisco Azevedo
Cada eletrodo – afixo – rota e rota,
entre uma orelha e outra, o desconcerto
de ser assim de loucuras um prédio,
cuja laje de pêlos se amarrota.
Os fios enfeixados, da testa em volta,
expõem o espectro aspecto ao desespero
de mamãe, que de dor contorce os seios,
dolorosa ao ver seu filho em lopra.
Já meu corpo moroso desmorona
sequioso de ver-se saqueado
da vida, mas, como por carros-bomba
o mundo explui distante, destroçado,
pretendem me curar, quando inda estronda
a dor – rastro de um esgoto esgotado.
17 de julho de 2007.
Escrito por Daniel Sampaio de Azevedo às 11h41
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