Meu humor



Meu perfil
BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, MANAIRA, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Livros, Sexo, Cinema



Arquivos
 14/12/2008 a 20/12/2008
 07/12/2008 a 13/12/2008
 16/11/2008 a 22/11/2008
 09/11/2008 a 15/11/2008
 19/10/2008 a 25/10/2008
 28/09/2008 a 04/10/2008
 14/09/2008 a 20/09/2008
 31/08/2008 a 06/09/2008
 17/08/2008 a 23/08/2008
 27/07/2008 a 02/08/2008
 20/07/2008 a 26/07/2008
 29/06/2008 a 05/07/2008
 22/06/2008 a 28/06/2008
 01/06/2008 a 07/06/2008
 11/05/2008 a 17/05/2008
 20/04/2008 a 26/04/2008
 13/04/2008 a 19/04/2008
 27/01/2008 a 02/02/2008
 25/11/2007 a 01/12/2007
 11/11/2007 a 17/11/2007
 04/11/2007 a 10/11/2007
 21/10/2007 a 27/10/2007
 26/08/2007 a 01/09/2007
 19/08/2007 a 25/08/2007
 15/07/2007 a 21/07/2007
 01/07/2007 a 07/07/2007
 10/06/2007 a 16/06/2007
 03/06/2007 a 09/06/2007
 27/05/2007 a 02/06/2007
 20/05/2007 a 26/05/2007
 13/05/2007 a 19/05/2007
 25/03/2007 a 31/03/2007
 18/03/2007 a 24/03/2007
 04/03/2007 a 10/03/2007
 18/02/2007 a 24/02/2007
 04/02/2007 a 10/02/2007
 14/01/2007 a 20/01/2007
 05/11/2006 a 11/11/2006

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL - O melhor conteúdo
 Claudio Daniel
 Linaldo Guedes
 Zunái - Revista de Poesia & Debates
 Márcia Maia
 Lau Siqueira
 Paulo de Toledo
 Correio das Artes
 André Ricardo Aguiar
 Sandro
 Algaravária
 Amador Ribeiro Neto
 Thiago Ponce de Moraes




Ninguagem
 


Poesia

Madrugada

 

 

 

 

pó sobre mar-de-águas            sob arcada

pós biombo as estrelas             serpentes e cambraias

 

o chão e o campo

tudo escuro depois da praia

 

até o satélite-luz           pálpebras sobre o olho

onde solionda              a pouca lúgrima

 

o pó cobre

tua presença derramando

como óleo

quente

 

                                   já à hora de ir embora



Escrito por Daniel Sampaio de Azevedo às 21h43
[] [envie esta mensagem
]





Texto de Valberto Alves de Azevedo Filho

           O que me chamou mais a atenção, dentre as diversas questões exibidas no filme Tropa de Elite, foi a da ação de combate, nas favelas cariocas, do Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro, mais conhecido como Bope, ou, no jargão das ruas, faca-na-caveira.

            Embora a discussão acerca do papel de parcela da sociedade civil no financiamento do tráfico seja interessante e fundamental, a violência – diga-se de passagem, “operações” – com que o Bope atua no combate ao tráfico ilícito de entorpecentes (uma das “hipérboles” do filme) não se deixa passar sem represas, isto é, sem surpresas.

            Maior surpresa, na verdade, foi-me a recepção calorosa de grande parte do público pirata ao modus operandi daquele batalhão especial – digo isso, inclusive, em referência à totalidade de meus amigos. Até mesmo a grande imprensa traçou abertamente um perfil entusiasta da ação pouco ortodoxa da tropa de elite carioca.

            E é comum ouvir pelas ruas comentários – que alguns diriam levianos – encomiando a arrogância e crueldade do Capitão Nascimento; o tiro na cara que acabou com o funeral do Baiano, pura consciência social; os tapas do “Aspira” Matias na cara lerda do playboy traficante, em plena passeata pela paz. Catarse ou não, essa considerável parcela dos espectadores sentiu serem espetados seus espectros – com o perdão do trocadilho.

            Em contrapartida, a pequena parcela da audiência pirata – chamada por Reinaldo Azevedo de “Bonde do Foucault” e por Lobão de “patrulha esquerdóide” (sic) – torceu as barbichas e embaçou os óculos de grosso aro negro com as atrocidades praticadas pelo Bope quando das operações em busca de informações e de combate ao tráfico ilícito de armas, entorpecentes etc.

            Essa “minoria” costuma levantar a bandeira dos direitos humanos, da consciência social em prol de um estado menos opressor e mais assistencialista. Praguejam contra a livre iniciativa, o monstro do neoliberlismo e entoam canções de amor à igualdade. Diria, sem medo, que são resquícios de um tempo em que bandido lia Marx e Gramsci ouvindo Chico Buarque.

            A questão, porém, não é estar de um ou de outro lado. Aplaudir cegamente as grosserias do Capitão Nascimento, ou espernear contra tais atitudes, é extremo do qual se deve distância – acredito, eu. É que, esperar ser a violência policial a única solução contra a criminalidade, ou desejar que a polícia brasileira “entre para guerra” com luvas de pelica, demonstra inequivocamente ingenuidade.

            É lógico que, diante das circunstâncias em que o país se encontra encerrado atualmente, exige-se uma polícia mais incisiva, consciente de seu papel constitucional de manutenção da ordem – ou da “opressão”, como quer aquela minoria. Mas também, como liberal que sou, acredito dever esbarrar esse poder diante das liberdades públicas e dos demais direitos fundamentais, exigindo-se do estado respeito, em todos os sentidos, à dignidade da pessoa humana.

Batalhões policiais como os da tropa de elite carioca são importantíssimos quanto as suas operações, desde que venham acompanhadas de uma ação política no sentido de prover a sociedade civil de meios ao desenvolvimento humano e social. Largar esses grupos especiais em luta cega, colocando na “conta do papa” as mortes e torturas praticadas, é favorecer as arbitrariedades e postergar a solução do problema. Toda revolução social exige atuação política sólida para a sua consumação.

E acredito, transitando por entre o olho do furacão provocado pelo filme de José Padilha, que essa constatação tenha sido o mérito reflexivo de Tropa de Elite. Embora seja talvez uma obviedade ululante (o que, esteticamente, é irrelevante), pensar, por esta perspectiva, o problema da criminalidade no Brasil é essencial, ainda mais quando se tem uma laranjada toda podre escorrendo pacificamente no congresso nacional.

No mais, como desterrados em nossa própria terra (nas palavras de Sérgio Buarque de Holanda), só nos resta a (revista) Playboy de Mônica Veloso.



Escrito por Daniel Sampaio de Azevedo às 18h23
[] [envie esta mensagem
]



 
  [ Ver arquivos anteriores ]