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Ninguagem
 


Barulho

            O rock brasileiro viveu seu auge nos anos 80. Mas antes mesmo do estouro do “brock”, já existia uma centelha dessa explosão juvenil nas levadas da jovem guarda, dos Mutantes, dos Secos e Molhados e em alguns momentos de Caetano Veloso, que já transava uma postura rock ao desfilar seu som nos festivais acompanhado por guitarras distorcidas. Os anos 60 e 70, de certa forma, prepararam o que seria a consolidação do estilo nas décadas seguintes, principalmente na “década perdida”.

Uma das bandas mais instigantes desse período pós-ditadura foi a Barão Vermelho. Mescla de blues e beat, Rimbaud e Kerouac, Cartola e Ginsberg, as canções do Barão encorparam de longe o rock nacional. Basta ouvir o primeiro álbum lançado pela rapaziada, que, desde a primeira faixa, Posando de star, tem-se a presença inconfundível do estilo. Outras canções como Down em mim, Bilhetinho azul e a fenomenal Todo amor que houver nessa vida são definitivas ao dar sabor de porra-louquice e de inconseqüência.

A grande força, talvez, do Barão Vermelho tenha sido a atitude exagerada e a poesia sem pudor de Cazuza. A já citada canção Bilhetinho Azul, por exemplo, tem versos desconcertantes. Nela, o gesto oral rouckenho de Cazuza, entre bêbedo e amargurado, grita e sussurra: “como pode alguém ser tão demente/ porra louca/ inconseqüente e ainda amar... ver o amor/ como um abraço curto/ pra não sufocar”. Caetano disse ter chorado quando a ouviu no rádio, preso no trânsito sufocante de São Paulo.

E ouvindo assim de tão longe, desde o primeiro álbum ao último do período Cazuza (Barão Vermelho e Maior Abandonado), fica aquela impressão de que o rock, por estes trópicos, só descarregou durante esta época. E a lembrança de bandas como os Titãs (que hoje são titias), o Ira!, Paralamas do Sucesso, Plebe Rude, Blitz, a presença de Lobão (que ainda está por aí) etc. etc. apenas confirmam esta desolação. Salvo raras exceções, hoje o rock brasileiro parece muito emo e empacotado...

Vou ver se saio por aí colando cartazes e pichando aos berros nas paredes das escolas e universidades públicas: precisa-se urgentemente de um veneno contra a monotonia; precisa-se urgentemente injetar no grito a rouquidão e o desabafo; precisa-se impedir que certos admiráveis chips novos e franjinhas rebeldes saiam da estante. O rock, meus amigos, é para ouvir com atitude e não com coqueluche.



Escrito por Daniel Sampaio de Azevedo às 17h54
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