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Disforia da cristalização

Luiz Tatit aponta como uma das características que compõe o perfil de cancionista de Caetano Veloso a “disforia da cristalização”. Sem aprofundar esse conceito, no entanto, basta dizer aqui que ele significa o distanciamento que Caetano toma quando sua obra começa a engessar em apenas uma dicção.

A acepção da “disforia” utilizada por Tatit é perfeitamente adequada para a aferição da poesia de Sérgio de Castro Pinto. Mas ao contrário. Explico. A obra de Sérgio tende a uma cristalização em dois sentidos. O primeiro, à clareza de cristal e à lucidez do gesto poético. O segundo, à repetição massificada de um mesmo procedimento de composição e à republicação inesgotável da obra até então publicada.

É o segundo aspecto que melhor calha ao conceito de “disforia da cristalização”.

Conheci a poesia de Sérgio de Castro Pinto a partir de “O Cerco da Memória”. Editado pela UFPB, este livro já compilava os anteriores, como “Ilha na Ostra” e “Domicílio em trânsito”. Em 2007, ao completar 40 anos de poesia, Sérgio voltou a reunir sua obra no livro “O Cristal dos Verões”, que foi editado e publicado pela Escrituras. Nele, o leitor pode encontrar poemas de “Gestos Lúcidos” a “Zôo Imaginário”, sendo este último publicado em 2006.

Mas, além dessa atitude de re-compilar ad infinitum a própria poesia, Sérgio de Castro Pinto, salvo algumas exceções (grande parte de “Gestos Lúcidos”, que é altamente cabralino), repete ao esgotamento o seu procedimento poético. Principalmente considerando que, de “O Cerco da Memória” até o “Zôo Imaginário”, fica clara a petrificação (ou cristalização) de sua dicção (essencialmente metafórica).

Isso necessariamente não é ruim. Sérgio atinge, com regularidade, altos picos de qualidade. O problema (e isso aconteceu comigo enquanto leitor) é que sua leitura vai cansando. Chega a um ponto em que ela perde toda a surpresa, como que se se automatizasse, ou, numa metáfora de João Cabral, como se as pedras de quebrar dente adocicassem a língua...

Assim, diferentemente do que acontece com Caetano Veloso, a “disforia da cristalização” em Sérgio de Castro Pinto atinge o leitor, que, surpreso numa primeira leitura, começa a pegar no sono quando adianta o passo...

Penei. Mas é preciso arriscar, meu caro leitor. E Poesia é risco.



Escrito por Daniel Sampaio de Azevedo às 16h24
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