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Contra a dialética da maledicência

            Volta e meia leio em um dos periódicos da capital (que ainda tem um caderno de cultura) textos de alguns jornalistas, em exercício de substituição de crítico literário, que apregoam ter a vanguarda se esgotado. Que seria impossível agir de modo experimental em matéria de poesia, sob o risco (que para eles sempre acontece fatalmente) de sucumbir ao mero trocadilho, ao clichê performático da chamada poesia de invenção. Muitos, aliás, acreditam que ela nem exista.

            Houve um tempo que eu quase me convenci disso, mas depois que eu li uma entrevista de Augusto de Campos sobre a existência (resistência) da (idéia de) vanguarda em dias de hoje (ou hodiernamente, como alguns críticos gostariam de usar), afastei-me daquela dialética da maledicência e renovei minha curiosidade pelo rigor e pela invenção, essenciais à arte de qualidade.

            O que me chamou a atenção na entrevista de Augusto (concedida à revista eletrônica Mnemozine de n.º. 4 – para não esquecer de citar a fonte) foi este trecho aqui, onde o poeta pós-concreto pontua de estrelas o oco escuro do céu: “o que se chamou e se continua a chamar de vanguarda sempre existirá, porque o conceito de vanguarda está ligado a uma ideologia de liberdade e de inconformismo, indispensável para as artes, e a uma conduta artística que o próprio (John) Cage definiu, com a nota radical de seu anti-individualismo, quando afirmou compor não para expressar-se, mas para mudar a si próprio”. Um soco seco no estômago!

            A crítica tem uma função de esclarecer a obra criticada e não velar suas potencialidades em razão de preconceito e de ignorância. Giacinto Scelsi, compositor erudito italiano, disse certa vez que “não se deve odiar aquilo que não se compreende”. É uma lição e tanto a tais e tais jornalistas (críticos), porque na maioria das vezes – na verdade, quase sempre – seus julgamentos e comentários sobre vanguarda e poesia de invenção são contaminados pela incompetência crítica e criativa...

            Mas o leitor paraibano, que tem curiosidade (como sempre aconselhou Ezra Pound), não precisa se aborrecer ou se desestimular quando ler essas “matérias críticas”. Embora estejamos diante da falência das utopias, na pós-modernidade, a invenção (ainda que de si mesmo) é possível, porque “na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” – lição básica (de Lavoisier) do ensino fundamental...



Escrito por Daniel Sampaio de Azevedo às 18h39
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