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Nação Zumbi

            Há bandas que projetam em um de seus integrantes as forças de suas virtudes. Acredito que os Titãs, por exemplo, perderam bastante com a saída de Arnaldo Antunes no início dos anos 90. Identicamente aconteceu com o Barão Vermelho, quando Cazuza, entre 1984 e 1985, decidiu iniciar a carreira solo, lançando à época um dos melhores álbuns de Rock em língua portuguesa, o disco “Exagerado” – por sinal, contendo músicas que seriam incluídas no então novo disco do Barão.

            A Nação Zumbi parecia trilhar para o mesmo destino com a morte de Chico Science (CS) no carnaval de 1997. Pelo que eu lembro (tinha apenas 14 anos), muita gente vaticinou que terminaria ali o grupo, pois seu maior interlocutor (sobre quem se projetavam as virtudes da banda) morrera sem que houvesse alguém para substituí-lo à altura. Além disso, o que mais poderia o Manguebeat (ou bit) alcançar? Parecia que a curva que matou Chico Science era longa demais e sem saída... Mas só parecia.

            Ao longo dos anos seguintes, a Nação Zumbi foi entortando as “negativas” e, a cada disco, renovando um dos movimentos mais originais da música popular brasileira, o Manguebeat. De “Rádio Samba” a “Fome de Tudo”, as propostas lançadas com o disco “Da Lama ao Caos” foram não só retomadas, como também aprofundadas. O ato de resistência do mangue ante o avanço dos centros urbanos e da tecnologia se tornava agora um ato de total interatividade; a estrutura das canções da Nação Zumbi, antes marcadamente dissonante, desenha agora um som “biônico / eletro-soulsônico”.

            Isso não significa que se perdeu a energia de resistência e de dissonância. Como eu disse acima, a “música quântica” da Nação Zumbi pós-CS seguiu com as propostas do movimento em profundidade. O regionalismo da percussão proveniente do Coco e do Maracatu, por exemplo, embora aparentemente atenuado diante da guitarra elétrica e da música eletrônica, soa agora como uma troça eletro-soul tropicalista.

            E, particularmente, tenho a Nação Zumbi, por esta e outras razões, como a banda de Rock mais original do Brasil – naquilo que ela tem de genuinamente antropofágico. O seu conjunto e sua integridade sobreviveram à morte de seu maior nome, Chico Science, tudo porque a banda assumiu o risco da mudança, atitude que faltou a bandas como Barão Vermelho e Titãs e falta a várias outras bandinhas dos VMB’s da vida.



Escrito por Daniel Sampaio de Azevedo às 23h22
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